NIKON D300, lente 10-20mm@10mm, 1/1.6 seg. @ f/18 com filtro polarizador.
Malhão do Infante #02
Malhão do Infante - 25 Dezembro 2009
- Manda a tradição que o natal é para estarmos com a família a comer, a confraternizar e trocar presentes. Parece-me bem. Depois de ter cumprido essa tradição com a minha família, resolvi abandonar o conforto da casa e ir visitar a minha outra "família" e descobrir que presente é que ela tinha para mim.
- Esteve a chover noite e dia sem parar. Como já tinha chovido bastante nos dias anteriores, tinha a certeza que as várias cascatas que existem ao longo da costa norte estariam a funcionar. As escolhas são muitas porque de facto existem várias ao longo da costa que só funcionam, entenda-se, tem água a correr, quando chove muito. Portanto tenho que escolher bem porque só poderei fotografar uma. Isto porque os caminhos que dão acesso a qualquer uma delas, são longos, difíceis e sinuosos e ainda mais com lama. E depois ainda tenho que descer até junto do mar o que vai levar mais tempo que o normal porque estando a vereda molhada e com lama as precauções tem de ser redobradas. E como estamos no inverno a duração dos dias é muito curta. Definitivamente só tenho mesmo uma oportunidade. A escolha está feita. Malhão do Infante.
- Até aqui foram cerca de 20 minutos de jipe e outros 10 na descida que descubro agora que tem algumas partes bloqueadas por desmoronamentos de pedras que presumo terem sido causados pelo sismo de há duas semanas. A meio da descida consigo ver parte da cascata e sinto um alívio em relação á escolha que fiz. Tem muita água. Mas tenho que manter a concentração no resto da descida que falta.
- Brutal. A cascata está cheia de água que corre com uma força e intensidade impressionantes. Definitivamente choveu muito.
- Bem tenho que começar a fotografar, só tenho mais hora e meia de luz, mas começo por onde? A cascata tem 3 secções e a primeira que é a mais alta é a revela um maior potencial. Começo por baixo. Vários enquadramentos e fotos depois e não me sinto muito excitado com os resultados. Subo até á secção mais alta. Duas pernas do tripé estão dentro de água e eu equilibro-me num pedaço de rocha que prefiro pensar que é mais robusto e estável do que parece.
- Embora esteja na sombra e a luminosidade não seja muita tenho de usar um filtro ND de 3 stops para reduzir a velocidade o suficiente para dar algum movimento à água. Lente 10-20mm em 10mm, abertura a f/16 mais o filtro dá uma velocidade de 1/4 de segundo. Disparo e verifico o resultado no ecrã. OK. A água tem algum mas não demasiado.
- Mas reparo agora em algo que me falhou. As nuvens moveram-se e sol iluminou a parte superior do enquadramento. Aquele bocado de rocha iluminado provoca uma distracção desconcertante na foto. Não tenho muitas alternativas. Para manter o enquadramento tenho que esperar que sol desça no horizonte. Paciência em uma virtude essencial para qualquer fotógrafo de paisagens.
- Aproveito para visualizar outros enquadramentos mas as alternativas não são muitas. Passados 15 minutos volto para junto da máquina e faço então algumas fotos sem nenhuma distracção. Quando já tinha tudo guardado para regressar a casa eis algo de inesperado. Ainda há poucos minutos atrás tinha tentado captar a parte final da cascata com os rebolos do laredo e os arrifes triangulares no horizonte mas o céu não ajudava, não tinha nada de interessante. Faltava aquele elemento aleatório que a mãe natureza por vezes oferece e que altera por completo uma fotografia. E agora lá esta ele. Neste caso é a bigorna de um Cumulo nimbo que se espraia de sudoeste para nordeste e que preenche o enquadramento na perfeição conferindo-lhe "aquele" dramatismo.
- Preparo a fotografia colocando a máquina a cerca de 40 cm da corrente de água de modo a preencher toda a parte inferior do enquadramento, o laredo e os arrifes ao centro e as nuvens no topo. Corro os olhos pelos quatro cantos do enquadramento. Alguma distracção? Confirmo a velocidade, a abertura, o filtro. Tudo OK. Faço duas exposições diferentes, uma para o céu e outra para as rochas que serão posteriormente fundidas no Photoshop. Algumas fotos depois e todo o dramatismo desapareceu.
Está feito. Neste Natal a mãe Natureza foi generosa.
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